domingo, 27 de dezembro de 2009

Conto n°5 "O natal de Donatelo"

Naquele momento ele estava olhando, apenas observando enquanto a grande massa deles vinha em sua direção, teve certeza de que não sobreviveria àquele número, mas devia tentar, talvez escapasse com vida, ao menos era o que ele esperava. Ainda tinha uma granada e poderia fazer um coquetel molotov com aquela velha garrafa de whiskye 12 anos que tinha encontrado, numa loja de conveniências, no caminho até o alto daquele morro. Respirou bem fundo, inspirando apenas o cheiro de carne podre que exalava das pessoas que um dia tiveram vidas normais, porém, sem motivos explicados, estavam agora numa onda de canibalismo irracional.

Não poderia se deixar abalar pela vantagem numérica, desde o inicio eles eram em maior número mesmo. Abriu a garrafa do 12 anos, deu uma ultima golada na garrafa; pensou: “Era um ótimo exemplar...pena que não vou poder tomar até o fim...” usou um pedaço da sua jaqueta e posicionando bem na boca quebrada da garrafa colocou uma rolha de forma que 30% do pano ficasse para fora da garrafa. Usou o isqueiro para acender um cigarro e o pano do coquetel. Não era acostumado a fumar, mas depois de tudo o que viu, ele realmente precisava de algo para desestressar e não tinham muitas mulheres com quem ele pudesse ter relações.

Jogou o coquetel numa das várias direções as quais os zumbis vinham, sabia que aquilo não os mataria, mas os atrasaria. Tirou o pino da granada e escutou o barulho de garrafa quebrando e o fogo se espalhando ao mesmo tempo em que todos aqueles seres estavam gritando, não por dor; mas por fome e porque o calor das chamas os atrapalhava a caçar o ser humano mais próximo deles. Jogou a granada a uma curta distância, suficiente para não se ferir com a explosão, esperou por 2 segundos e começou a correr ouviu um forte estrondo à sua frente e uma massa de vento muito forte segurou seu progresso, logo após a explosão ele conseguira correr, jogar aquilo havia sido a melhor idéia que ele havia tido naquela noite, a explosão afastara a maioria dos zumbis dando espaço para uma corrida rápida em direção da cidade, e foi o que ele fez, ele correu.

Após descer o morro, a primeira coisa que ele ouviu foi uma canção leve e ritmada, era uma canção de natal, se lembrou que era natal, lembrou também que a cidade tinha um sistema automático de músicas que era programado no inicio do mês, então não havia ninguém na mesa de som da cidade senão essa pessoa estaria enviando sinais de socorro e coisas do gênero e não musicas de natal e ele sabia que se houvessem mais pessoas vivas todas estariam na delegacia e não na prefeitura.

Passou a correr mais rápido quando percebeu que o molotov não tinha funcionado tão bem assim, já que alguns deles já estavam na sua cola, muito mais perto do que ele gostaria, a delegacia também estava próxima deu dois tiros com a sua espingarda para traz. Ele não podia levar os zumbis para a área de proteção então virou em uma rua que dava acesso ao posto de gasolina. Já sabia que os zumbis não conseguiam caçar com o fogo à sua volta.

Para a sua sorte, tinha um caminhão de gasolina no posto, se tivesse mais sorte ainda, poderia ter gasolina no caminhão suficiente para confundir os zumbis por umas 2 horas. Ao abrir a válvula sentiu que o papai Noel havia lhe dado um presente, havia gasolina no caminhão ele observou o liquido inflamável se espalhar pelo chão derrubando algumas das criaturas. Com a gasolina ainda saindo do tanque ele deu uma tragada no seu cigarro, a primeira desde que o acendeu, e o jogou na gasolina iniciando um incêndio.

Após o fogo começar a se espalhar pelos zumbis ele entrou em uma esquina dando de cara com a delegacia. Correu gritando: “Eu sou humano! Eu sou humano! Não atirem, por favor!”. Não ouviu uma resposta, mas também não houveram tiros, então o pior poderia ter acontecido...na verdade, o pior tinha acontecido, tinham pegado a delegacia, lá dentro havia apenas sangue e zumbis, algumas armas, mas a maioria sem munição. Ele agora tinha que encontrar algum meio de fugir e se dirigiu para a garagem.

Encontrou um carro de policia inteiro, entrou nele e rumou em direção à próxima cidade, avisou pelo rádio que sua cidade havia caído e rumou para a próxima cidade quando lhe responderam dando as coordenadas. Ele nunca tinha gostado de natal, mas apesar de todas as mortes ele estava feliz com a liberdade de usar qualquer arma que encontrar, já que era uma guerra.