domingo, 31 de outubro de 2010

Conto nº 8 "Drácula, Herker, Van Hellsing e Mina"


“Nós vampiros somos imunes a todas as doenças, mesmo ao álcool!” Dizia o homem que usava capa e cartola, sua pele era muito branca e seus olhos eram de uma cor clara e morta. A moça fitava-o admirada com suas palavras, seu conhecimento, sua voz; sentia uma atração feroz.

Depois de muito andar pelo parque, resolveram sentar em um banco próximo, ela estava cansada da caminhada, já fazia horas e ele ainda não havia feito aquilo que ela tanto queria. Resolveu tomar uma atitude e começou a beijá-lo.

Beijavam-se ardentemente, quando os lábios do vampiro se aproximaram do pescoço de sua vítima, mas ele apenas a beijou. “Que está fazendo? Não pretende tomar o meu sangue e me ter em seus braços?” “Não! Não aqui, não agora! Pretendo guardar esse momento para algo mais particular” “Não seja um tolo! Você precisa se alimentar, beba do meu sangue e satisfaça o seu desejo!”. Um pouco atônito, o vampiro fitou os castanhos olhos da moça como se pudesse ler a mente e a alma da jovem. “Ok! Deixe-me agora sugar sua vitalidade e sua juventude, deixe-me sentir tudo o que sentes com seu coração! Deixe-me agora beber seu sangue!”

O Vampiro agora colocava seus dentes bem próximos ao pescoço da moça, quando ambos ouviram uma baderna a se aproximar. Alguns jovens, com calças rasgadas, camisas sujas e jaquetas de couro, se aproximavam do casal, empunhando barras de ferro e tacos de beisebol. Delinqüentes.

Pararam ao ver o casal, todos os olhares se fixaram diretamente no vampiro que se estremeceu ao ver que possivelmente estaria encrencado. “Olhasô galera, o manolo aqui acha quié um vampirão! Tu não sabe comé qui nóis realmente somos, otário!” Disse o líder, sem parar de observar o vampiro, agora já demonstrando que estava apavorado.

“Então está decidido, agente bati no Drácula até ele cair, daí noís bebe o sangue da mina e quem quiser come ela! Como todos estão de acordo, vamu começar a zona!” disse o líder novamente, ainda sem tirar os olhos do ‘Drácula’.

Partiram pra cima do vampiro, porém quando estavam prestes a atacar, todos pararam e passaram a observar uma sombra atrás do casal. “Qui tu ta fazendo aqui, mermão?” “Eles são minhas presas, não a de vocês! Saiam do meu caminho!” Falou o ser vindo das sombras, era um jovem, aparentemente mais novo que o resto do grupo, tinha cabelos negros como a noite, olhos castanhos que lembravam a morte em si. “Aqui não é teu território, cachorrinho, vaza daqui e vai buscar um osso!” Retrucou o líder, o jovem apenas fechou os punhos e os olhos respirando profundamente.

O casal não conseguiu ver o que aconteceu, pois desviaram o olhar no momento em que a briga iria começar, ao abrir os olhos, viram apenas os corpos caídos, não sabiam quanto tempo passaram de olhos fechados, sabiam apenas que a gangue estava morta, cheios de dilacerações pelo corpo. O jovem segurava o último deles que ainda se debatia, um esforço inútil e desesperado de soltar seu pescoço já dilacerado pelas garras do jovem.

Ainda segurando o último deles, o jovem se virou ao casal, seus olhos eram vermelhos e brilhantes, os dois ficaram paralisados ao olhar aquilo e acabaram vendo o bandido ser degolado com um único golpe que fez sua cabeça girar para perto da moça, sujando seu coturno do sangue que escorria.

O ‘vampiro’ correu assim que a cabeça caiu ao chão, quase tropeçando em sua glamurosa capa, deixou sua cartola e a sua ‘vítima’ para trás. O jovem voltando a ter seus olhos castanhos e suas mãos comuns, apanhou a cartola do chão colocando-a em sua cabeça, olhou fixamente nos olhos da moça. “Agora você sabe como é um vampiro de verdade, eu venho caçado você a algum tempo, estava esperando você disser que queria me dar do seu sangue...agora minha cara, deixe-me beber de seu corpo!”