Ele apertou as mãos no volante pensando:"Estamos perto do fim...são só mais 40 km e chegamos lá...o pacote está aqui, as armas estão cheias de balas, minha amada está do meu lado...vai dar tudo certo!"
Apesar de saber de tudo isso ele ainda sim olhou para o pacote checando se realmente estava lá, verificou a sua sauer, checou quantas balas tinham...pente cheio como deveria estar já que não haviam dado um tiro nos últimos 100 kms. Achou estranho o fato de não terem dado um tiro seguer afinal de contas o contratante tinha pagado muito para eles atravessarem toda a colina...140 kms de areias perigosas e nem seguer um tiro nem ao menos os bandidos resolveram aparecer e isso o deixava inseguro.
E por último foi averiguar a sua amada e ao trocar olhares com ela, le se lembrou do dia em que se conheceram na guilda de transportadores...ela em todo o seu explendor feminino estava atrás de um motorista, não havia conseguido nenhum, talvez por ser um trabalho machista, talvez por não ter no rosto as feições de quem ja atravessou algum dos desertos. Ele acabara de dispensar o seu co-piloto por problemas envolvendo dinheiro, ja era o 5º que havia largado ele...talvez o problema estivesse com ele, precissava muito ter certeza pois caso isso fosse verdade largaria o trabalho de transportador e iria dirigir transportes públicos...nesse momento olhou para todos em volta sentindo que sentiria falta de todos caso largasse tudo isso foi quando seus olhares se encontraram pela primeira vez...ela foi até ele sem tirar os olhos de dentro dos olhos dele, ela tinha aquele velho olhar penetrante que sabe tudo o que você está pensando apenas de olhar dentro dos seus olhos, no começo ele se sentiu inseguro com aquele olhar e desviou o seu. Ao olhar para os olhos dela novamente a insegurança se tornou fascinio e seus olhos não desgrudaram dos dela momento algum até que ela chegou em sua mesa e disse:"Ei cara, ouvi dizer que você precisa de um co-piloto...bem eu sou uma, não fiz muitas travesias ainda mas aprendo rápido, posso ser sua co-pilota?". Nesse momento o mundo parou, ele sentia a gravidade sumir e seu corpo todo ficar dormente, depois de pouco tempo ele se recompôs e respondeu:"Tenha a bondade minha cara...mas saiba que eu também não fiz muitas travesias" ela apenas sorriu, o mesmo sorriso que ela dava a ele agora...o mesmo sorriso depois de 5 anos juntos ela nunca havia parado de sorrir e isso o deixava muito satisfeito e feliz.
Após tudo verificado ele sabia o que viria à frente: a velha cidade de Edwiges. Dizem que um dia algo explodiu debaixo daquela cidade matando tudo que havia por lá. os dois sabiam que não era verdade, ja haviam estado lá pessoas moravam por lá agora tentando reconstrir algo, fosse suas vidas, fosse a cidade. Isso a tornava mais perigosa.
Engatou a primeira marcha ao mesmo tempo que destravava a sua Sig Sauer P250 e saiu com seu carro em direção à cidade de Edwiges. Até mesmo os mais acostumados se sentiam um tanto estranhos quando entravam nessa cidade...era tudo ruínas e destruição, não havia ninguém por lá talvez estivesem se escondendo de suas próprias fraquesas. O casal têve a visão que mais trazia angústia e dúvidas sobre Edwiges, o centro da cidade havia uma enorme crátera o estranho é que ela vinha de dentro pra fora, ninguém nunca soube explicar aquilo os que lá foram jamais retornaram.
Foi quando ouviu-se o primeiro tiro, não se sabe de onde veio nem o que acertou, mas depois do primeiro tiro veio o tiroteio, o casal apenas via as balas acertarem o vidro de sua Hummer e agradeciam por terem gasto tanto com blindagem de vidro. Puseram-se a atirar em retorno aos seus inimigos...mas sem nenhum sucesso, sairam em disparada com o carro tentando atravesar o que sobrava da cidade. "15 kms!" pensou, enquanto apertava o acelerador com toda a sua força, tinha certeza de que isso não faria a menor diferença, mas ele se sentia um pouco melhor ao fazer aquilo. Sentiu apenas seus ouvidos falharem enquanto tudo a sua frente se tornava terrivelmente claro, sentia que não estava mais no conforto do chão. Uma pancada forte à sua esquerda, seguida de uma vinda de cima e logo após se sentiu pairando no ar por alguns miléssimos. Começou ver de forma melhor sua visão estava menos turva foi quando a terceira pancada veio por cima novamente dessa vez porém o carro havia parado e ele visualizou a sua situação: Tinha capotado o carro, provavelmente um projétil explosivo que arremesou seu carro longe.
Percebeu que sua amada estava bem e ja se preparava para sair do carro. "Tão cheia de atitude". Pensou enquanto se preparava para sair. Pegou o pacote, uma mochila simples, saiu do carro usando-o como escudo contra os tiros seguintes, colocou a mochila em suas costas, ajudou sua co-pilota a sair do carro e os dois juntos correram para dentro de um dos prédios, mãos dadas como sempre faziam nessas situações, por sorte ele era canhoto e os dois podiam fazer isso sem parar de atirar com suas pistolas.
Pouco antes de entrarem no prédio suas balas haviam acabado e ele não quisera soltar a mão para recarregar, seu primeiro grande erro, ao entrarem foram surpreendidos pelos bandidos e ele acabou por tomar um tiro certeiro no ombro que o fez girar e derrubar sua amada salvando-a dos projéteis que vinham em sua direção. Ouviu tiros, muitos tiros, mas só podia ver o chão ficando turvo à sua frente, sentia o sangue quente escorrendo pelos seus braços. Vendo que estava quase perdendo o seu fio de consciência perfurou sua ferida com um de seus dedos sentido o metal quente do projétil enterrado em seu ombro. Não sentia mais dores, sentia apenas seu coração batendo cada vez mais forte sentiu a adrenalina tomar conta de seu corpo. Sua primeira preocupação era recarregar a arma, liberou o pente vazio pegando o seu segundo para realizar o ritual de troca de pentes, sentiu o pente entrar perfeitamente em seu lugar. Ao escutar o clique instintivamente destravou a arma e deu o primeiro disparo, não tinha muita certeza do que havia acertado nem em quem, tinha certeza de que não era sua parceira pois ele atirara na direção da escada onde estava o responsável pelo primeiro tiro...o tiro que o acertara em cheio.
Disparou uma segunda vez no corpo aparentemente em queda de seu atirador, mirou mais abaixo encontrando um segundo atirador acertando em cheio por entre seus olhos.
Escutou então um barulho metálico próximo aos seus pés sabia o que era e não se importava muito o estado de sua amada era mais importante que um pente vazio. Olhou-a como um predador olha para a sua presa e ao cruzar com os olhos dela se sentiu aliviado, o mundo perdeu a sua luz, tudo veio a escurecer. Sentiu seu corpo desfalecido cair ao chão isso foi o que o manteve acordado por tempo o suficiente para ver a sua amada toma-lo em seus braços e olhando em seus olhos dizer:"Não me deixe agora minha vida. Tenho muito o que aprender sobre a vida e sobre os sentimentos com você." Essas palavras deram mais força a ele, sentiu-se mais revigorádo ao tentar levantar percebera seu segundo e último grande erro: Percebera que existia um segundo sangramento vindo de seu corpo era vindo de seu peito, havia começado a pouco tempo, sua camisa estava começando a ficar molhada de sangue tanto a parte da frente como a parte de trás. "Estou sangrando dos dois lados" pensou e sentiu algo molhado tocar sua face ao olhar para cima viu pela primeira vez sua amada chorando.
Ele sabia que ela estava falando algo para anima-lo, mante-lo vivo para seguir em frente, mas seus sentidos o trairam, ele foi incapaz de ouvi-la ou ao menos entende-la. Sua visão estava turva seu corpo não respondia aos seus impulsos de dâ-lhe um último beijo. Suas mãos fraquejaram poucos antes de alcançar os lábios de sua amada. Sua visão escureceu sem desviar daquele olhar tão lindo que tinha sua amada.
Muito bom adorei... mas umas historia pra conta sobre aquele mundo
ResponderExcluirPequena Edwiges, era uma cidade tão bacana antes da grande explosão...
ResponderExcluirMto bacana o texto!!
Gostei. =)
ResponderExcluirE essa parada de escrever contos... vou postar um quando chegar de viagem. o/
=*
:O
ResponderExcluir"... o estado de sua amada era mais importante que..."
ResponderExcluirÉ no momento do perigo que não há nada mais importante do que a segurança de quem amamos. Nossa própria vida é colocada em segundo plano automaticamente, pois se quem nos faz viver 'ganha' um fim, como é possível sobreviver depois? [Provavelmente] Não é.
Beijos, Dy! :*
Jessica Cardoso.